Saiba mais sobre o investigador que tomou um café com o Nobel da Medicina, se cruzou com figuras como Mark Zuckerberg e Muhammad Ali e teve uma pistola apontada à cabeça em Harvard Square.

 

Pedro Castelo Branco tem 44 anos e há pelo menos 20 que tenta compreender como é que o cancro consegue ser tão inteligente ao ponto de sequestrar os nossos mecanismos e manipulá-los de forma a atuar a seu favor. A aventura da descoberta começou em 1998 quando, na Universidade de Aveiro, na então licenciatura em Biologia, aprende algumas das técnicas que viria a usar, mais tarde, para desenvolver um vírus capaz de reconhecer células cancerígenas.

Antigo saxofonista na Magna Tuna Cartola, Pedro Castelo-Branco começa, desde muito cedo, a orquestrar uma perseguição ao cancro. Inspirado pelo trabalho de um dos melhores neurocirurgiões do mundo que, em Harvard, começava a usar vírus para combater a doença, o jovem investigador confessa que a ideia o deixou “tão fascinado” que, em 2000, e aproveitando a viragem do milénio, decide rumar a Oxford para iniciar o Doutoramento em Biologia Molecular.

É lá que priva de perto com alguns dos gigantes a trabalhar na área do processamento de RNAs e que percebe, finalmente, com que instrumentos se comporá a melodia do futuro.

Após um percurso académico brilhante, que culmina com o término do Doutoramento em Oxford, o investigador vence, em 2005, o Prémio que o catapulta, definitivamente, para a investigação e que lhe permitiu, como nos conta, “meter uma mochila às costas e ir dar a volta ao mundo”.

Após percorrer o Brasil, a Argentina, o Chile, o México, o Canadá, os Estados Unidos, a Nova Zelândia, a Austrália, o Japão e a China, Pedro Castelo-Branco confessa que estava “pronto para avançar”.

Com meio mundo debaixo do braço, chega a Harvard para, com o seu conhecimento em Biologia Molecular, “criar vectores virais capazes de reconhecer células cancerígenas de células normais”.

 

Como explica, “em 2006 isto era algo relativamente recente, uma espécie de tecnologia de ponta”. Tecnologia essa que Pedro Castelo-Branco viria a refinar para, três anos mais tarde, desta feita em Toronto, começar a trabalhar com células cancerígenas estaminais, aquelas que chama de “abelhas-mestras dos tumores”.

Daí até então, tudo aconteceu muito rápido. Como nos conta o investigador, foi um ponto de interrogação em aberto que o levou à grande descoberta da sua carreira. “Durante o processo em que estive em Toronto a tentar desenvolver novas terapias para estas células cancerígenas estaminais, deparo-me com uma alteração que ocorria na tal enzima da telomerase e que eu não conseguia explicar”.

Se era um facto que a telomerase estava sempre “ativa” no cancro, Pedro Castelo-Branco compreendeu, naquele instante, que a sua missão passava por compreender “como é que isto acontece, como é que a célula cancerígena consegue ser tão inteligente, ir ao DNA da telomerase e fazer alguma coisa para que a enzima esteja sempre ligada”.

Como esclarece o investigador se, “em condições normais a telomerase tem um botão on e off”, ou seja, liga e desliga, “o que acontece, no caso do cancro, é que não há interruptor, a telomerase está sempre ativada porque as células estão sempre em divisão”. O desafio foi perceber “como é que o cancro faz isto?”.

E essa é, de facto, a grande descoberta na carreira do investigador: “compreender que há um mecanismo epigenético por detrás de tudo isto”, que faz com que o cancro, com a sua inteligência, consiga promover “a tempestade perfeita”, ou seja, a imortalização das células cancerígenas.

Hoje, a trabalhar naquela que é conhecida como a “ciência da mudança”, Pedro Castelo-Branco lidera um grupo de investigação dedicado a encontrar biomarcadores epigenéticos que permitam diagnosticar e prognosticar eficazmente diversos tipos de cancro.

O mais recente tem nome de super-herói – THOR. Trata-se de uma região específica do gene da telomerase que permite aos investigadores detetar precocemente casos de cancro, e que lhes oferece, a partir da percentagem desta enzima presente no organismo, informação sobre o estadio de evolução da doença.

Leia a reportagem completa na edição impressa do livro “Ciência com Vida“…